Crônica para um passo e uma calçada

Fonte da Imagem: https://www.flickr.com/photos/roomman/6300391696

Crônica para um passo e uma calçada – 01/04/2014 ◌ 17:55

São muitos os caminhos percorridos por cada um de nós. E, por mais que nos sintamos completamente preparados, vem alguém que diz “não é por aí!”, “como é que você pode fazer isso?” ou “você tem mesmo certeza do caminho que está seguindo?”. Há também aqueles que preferem não falar nada, mesmo sabendo que seu caminho o levará a um precipício. Como um velho ditado já dizia “se conselho fosse bom não seria de graça”.

O fato é que, por mais que vejamos pessoas em multidões na calçada, sempre precisamos dar o nosso próprio passo. Às vezes, nós seguimos os adiante por estarmos perdidos ou incertos do caminho, o grupo dá essa sensação de segurança. Em outros momentos, não temos nada além da confiança em nosso próprio passo. Como saber para onde ir? E o que devo esperar quando chegar lá?

Não há respostas determinadas e generalizantes. Qualquer tentativa seria pura busca pelo ouro de tolo. Pense: se houvesse uma única resposta, um único caminho, todos seríamos iguais, e não somos! Com respostas definitivas, ninguém se preocuparia em olhar para o chão, em parar e rever sua rota, não nos perguntaríamos “será que estou indo para o lugar certo?” ou “é isso mesmo que estou fazendo da minha vida?”.

A cada grito ou silêncio acompanhado por um passo na calçada, percebo que isso é a vida: emoções fortemente processadas, sentidas, vividas ou não e que fazem parte do combustível-motor de cada passo. Qual é sua emoção central nessa experiência de vida? O que mais tem sentido: medo, raiva, tristeza, felicidade, aversão, desprezo, culpa ou quê?

Todas essas emoções são combustíveis para nosso passo na calçada e, se você misturá-los, sempre terá uma combinação de aditivos: prazer, cólera, depressão, vergonha, amor, inveja, ciúme, alegria e outros. A vida se torna um combinado de emoções que somatizam o corpo. Freud foi extremamente sábio ao notar que boa parte dos sintomas apresentados pelo corpo se constituíam por uma ligação psíquica com o que sentimos, pensamos e desejamos.

Quando o corpo vivencia uma série de emoções e a nossa cognição não sabe como lidar com elas, ficamos paralisados na calçada. É quando em meio à frustração, à dor ou à perda, por exemplo, nos perguntamos “quem eu sou?”. Não há dor maior do que aquela que não compreende a própria origem, a pessoa fica sem saber o que é realidade e o que é ilusão. E é neste mesmo caminho de ilusões em relação ao que se sente e não compreende que a jornada acaba. Muitos desistem no meio do caminho por não se encontrarem consigo mesmos e em meio aos outros.

Se falta movimento, seja ele físico, emocional ou psíquico, ficamos mais próximos daquela pulsão cujo tempo esclarece que será o fim. Espero então que você não se sinta mais um na multidão, que seu pé não fique preso na calçada ideológica por onde a maioria pensa ser o melhor caminho. Espero que a crônica de sua vida seja mais que um passo e uma calçada, seja mais que uma única parada. Que seu caminho seja busca pela felicidade que sabe das dificuldades a enfrentar, mas que não paralisa a cada pico de emoções negativas, e que elas sejam uma fonte de energia para o próximo e contínuo passo.

Thiago Sczcepanik