Looping do Animal

Looping do Animal – 25.07.19 ◌ 00:46

Poderíamos ser quando estamos com os animais que convivem conosco. Eles aprontam, nos irritam, tiram a nossa paciência, mas os compreendemos facilmente.
Simplesmente os desculpamos, seja pela ignorância, por tratarmos como inferiores ou porque de fato os amamos.

Já com outras pessoas…
é difícil esquecer.

Difícil se desdobrar para aceitar a fragilidade das relações. Mais difícil ainda é se perdoar. Como sofremos por não nos livrarmos do que foi, poderia ter sido ou do que será!
Por fim, a maioria de nós faz como os animais, segue em frente, na ignorância de seus próprios instintos e impulsos.

Alguns conseguem “bem” se distanciar da consciência ou da lembrança.
Outros são atacados pelo encontro de sinapses que nos jogam na rede neural do looping.
Talvez tudo vire história e literatura no final.
Para tanto, deixo alguns versos simplórios da fragmentação do self:

Às vezes, é fácil sentir o vento
Tem dias que não pedimos pra nascer
Pedimos para cair no esquecimento,
Mas é só até o outro dia nascer.

O carro corre na estrada
Desviando da sorte ou da morte.
Fica então a alma selada
Carregando todos aqueles cortes.

Queria ser forte, ser atento,
Ser menino de novo.
Mas não sei se aguento.

Thiago Sczcepanik