A questão de fim de ano

A questão de fim de ano – 16/12/2014 ◌ 02:27

Nem comecei a escrever esse texto e já pensei se deveria passar por esse clichê de falar sobre o fim de ano e todas as sensações que ele causa no inconsciente coletivo assim como na ideologia que se dissemina junto ao consumo.

Acho que podemos pular todas as partes das promessas, não é?

Bem… é fato que prometer pode estar associado ao desejo de mudança, mas falar de mudança na virada do ano também é clichê.

Sem mudanças, sem promessas, o que lhe resta caro leitor?

Sugiro refletir o passado. Hoje, e cada vez mais e mais é sobre o hoje, que a dinâmica da vida cotidiana passa por tantos eventos efêmeros, muitos deles sem importância e outros não. Ainda assim, o fato é que a mudança já é um pressuposto mais do que sentenciado e que muitas vezes nem sequer sabemos lidar com ela ou prevê-la. Heráclito já cantou essa bola sobre um rio.

Nossa sociedade está se deslocando tão rápido, sabe-se lá para onde, que a compreensão do passado realmente ficou para trás.

Você acha que alguém que não para para pensar no seu passado e presente consegue realmente planejar algum futuro?

Os chineses levaram cerca de 50 anos para construir a Kien Liu. Se eles não tivessem avaliado cada erro passado, se não tivessem refletido sobre os mais de 3 mil operários mortos, não seriam 50 anos para construir uma ferrovia em condições extremas, talvez até 100 anos seriam insuficientes, pois não dá só para viver de tentativa e erro e dizer que qualquer mudança foi fruto de um planejamento.

Sem mais confusão mental causada pelo meu texto, irei ao ponto:

Seu passado serve para alguma coisa em sua vida ou é simplesmente um conjunto de coisas e fatos que você quer apagar a cada ano?

Seu presente é um sentido fundamentado nas suas experiências boas e ruins de seu passado junto ao desejo de um futuro melhor ou seu presente é um total desencontro com o ontem no qual o tempo não passa nada mais do que uma mercadoria que pode ser consumida, descartada e substituída?

A virada do ano talvez não seja uma virada de números e datas. Para alguns, pode ser o desejo de virar a vida de ponta cabeça, pois não se encontraram consigo mesmos nos 365 dias anteriores. O passado é um fantasma a persegui-los, nesse caso.

Resta então pensar na questão da virada como não o fim de um ano e o começo de outro. Resta-nos abraçar o recomeço de cada fragmento já construído no passado e pensar no futuro como um aliado que pode fazer com que seu sonho de viver esteja sempre presente.

Thiago Sczcepanik